Obon Matsuri – お盆踊り

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Obon Matsuri – お盆踊り

O Obon Matsuri, ou Festival Obon, é um grande evento de origem budista que cultua os mortos, como o Dia de Finados no Brasil ou o Festival dos Mortos no México.
Acredita-se, que durante os três dias do festival, os espíritos dos antepassados voltam a este mundo para visitar seus familiares.
No Japão, a festa é comovente. Além de todos os preparativos que serão descritos adiante, o festival é comemorado as três noites nas ruas, com altares, muitas luzes, dança e música próprias do Obon.
Originalmente, o festival deve iniciar no 13º dia e terminar no 15º dia do 7º mês lunar, de acordo com o calendário lunar antigo. Hoje em dia, infelizmente, famílias por todo o mundo passaram a utilizar o calendário gregoriano e comemoram do dia 13 ao dia 15 de julho. Essa mudança começou na Era Meiji e vem se tornando cada vez mais comum.

 

No primeiro dia do Obon Matsuri, é feita a limpeza dos túmulos. Eles são lavados e sobre eles colocam-se flores e frutas para recepcionar os espíritos que vão chegar. É costume fazer uma oração de convite. Ao entardecer, são acesas duas lanternas na entrada da casa, uma de cada lado, para iluminar o caminho dos falecidos de volta à casa. Isso é chamado de Mukaebon ou Mukae-Bi.
No segundo dia há muita comemoração. É comum falar dos falecidos, de seus gostos, de suas crenças e desejos e de seus feitos em vida. Também se serve na casa as comidas preferidas dos que partiram.
A música e o ambiente devem ser alegres e coloridos. O altar dos antepassados, ou Butsudan, está repleto de alimentos e o incenso queima constantemente. Pode-se também queimar o dinheiro dos mortos no altar ou no túmulo, para desejar prosperidade para aqueles que partiram ao mundo espiritual.
O Bon Odori, ou dança do Obon, é realizada em casa, nas ruas e nas praças. A lenda diz que um monge Zen chamado Mokuen era reconhecido por sua capacidade de viajar por entre mundos e de enxergar o que acontecia em diferentes dimensões. Um dia ele resolveu utilizar seus poderes para encontrar e se comunicar com sua mãe que havia falecido há pouco tempo.
Por ser uma mulher de bom coração, Mokuen acreditava que sua mãe ocupava um mundo de espíritos superiores, ele imaginava que o espírito de sua mãe havia ascendido ao Nirvana, ou Satori, nível ocupado pelos mestres iluminados e pelo próprio Buda. Mas em sua viagem astral, ele ficou muito triste em descobrir que o espírito de sua mãe estava na dimensão Gaki, ou mundo dos demônios famintos. Os espíritos que habitam esse mundo sofrem de fome e sede eternos, e um dos motivos é a falta de alimento oferecido a eles por seus familiares ainda vivos no mundo humano.
Ao ver sua querida mãe naquela situação desesperadora, Mokuen passou a viajar pelo astral para levar comida a ela, mas no mundo Gaki, o alimento se transforma em fogo na boca do espírito que a tenta comer.
Mokuen voltou e dedicou-se a uma oração prolongada pedindo ao sagrado Buda que o ensinasse um meio de tirar sua mãe daquele mundo e aliviar seu sofrimento.
Ouvindo sua prece, o sagrado Buda instruiu Mokuen que todos os anos, do 13º ao 15º dia do sétimo mês lunar, mantivesse todos os monges enclausurados no monastério para que não pisassem nos insetos, nas flores e não matassem animal algum.

 

Quando o dia chegou, Mokuen fez exatamente da forma que o sagrado Buda o havia ensinado. Todos os monges da região foram convidados para o monastério para um banquete que seria servido em homenagem à sua falecida mãe. O banquete era muito farto e os monges passaram os 3 dias comendo, bebendo e cantando.
 Ao entardecer do 15º dia do 7º mês lunar, o espírito da mãe de Mokuen apareceu em forma de um ser do 6º plano astral. Ela estava iluminada e flutuava. Ao ver sua mãe iluminada e flutuando como um Chouchin (lanterna que flutua na água), Mokuen começou a dançar de alegria. Os monges ali, contentes com toda a bela recepção, também começaram a dançar como Mokuen e enfileiraram-se em círculo, repetindo os passos de Mokuen. Esse círculo simboliza o círculo da felicidade. Assim surgiu o Bon Odori, a dança que homenageia a iluminação do espírito daqueles que partiram de nosso mundo.

Bon Odori então é essa dança, criada pelo monge Mokuen, e as pessoas dançam em parques, praças, e em algumas cidades do Japão e do mundo o grupo é bem grande, inclusive as próprias crianças no Japão e em Okinawa desde bem pequenas são ensinadas na escola a coreografia com os movimentos do Bon Odori. As músicas também são tradicionais e algumas são mais específicas em diferentes regiões. O CD que você está recebendo tem uma amostra das músicas mais populares no Japão e Okinawa.

No terceiro e último dia do Obon acontece o Tooro Nagashi (lanternas flutuantes). Ao entardecer do 15º dia do sétimo mês lunar, as pessoas colocam lanternas feitas de papel, com o nome de cada falecido escrito em cada uma delas, ascendem a vela dentro da lanterna e lançam-na ao mar, rio ou lago, para que as luzes guiem seus ancestrais de volta ao outro mundo. O ritual é finalizado com uma queima de fogos.

 

Muitas pessoas tiram férias neste período para que possam visitar suas cidades natais e cemitérios onde seus antepassados foram enterrados.

 

 

 

 

História do Obon:

A Dança do Obon,

Okinawa:

Japão: