Contos do Zodíaco Oriental: “O Macaco Retribui uma Bondade”

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19 de março de 2019
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Contos do Zodíaco Oriental: “O Macaco Retribui uma Bondade”

Há muito tempo, numa vila de pescadores na ilha Kyushu ao sul do Japão, vivia um pescador muito esforçado e trabalhador contentemente  com sua esposa e seu filho, que ainda era um bebê.

Um certo dia, quando a maré estava baixa, sua esposa colocou o bebê nas costas e saiu com suas vizinhas para recolher as conchas da praia. O tempo estava ótimo naquele dia, então a praia estava repleta de pessoas, todas em busca das conchas perfeitas.

Para facilitar seu trabalho, a esposa do pescador tirou o bebê das costas, deitou-o sobre um cobertor numa grande rocha e pediu ao filho de sua vizinha que o vigiasse. Agora que estava livre do peso do bebê, voltou ao trabalho.

Enquanto recolhia as conchas, ela percebeu que um macaco brincava na praia a alguns metros dali. Parecia ter vindo de alguma montanha da proximidade. Então disse a uma de suas vizinhas:

–  Olhe aquele macaco ali. O que será que ele está fazendo? Vamos ver mais de perto!

Quando chegaram perto o suficiente, perceberam que uma grande concha havia se fechado numa das patas dele e ele lutava para se livrar dela. E a esposa do pescador disse:

–    Ah! Agora entendi o que está acontecendo. Ele deve ter tentado tirar a carne de dentro da concha e esta se fechou em sua pata.

A cena era surpreendente, pois quanto mais o macaco tentava tirar a pata dali, mais a concha tentava se enterrar na areia. Algumas pessoas se aproximaram com pedras, decididas a matar o macaco, pois desprezavam tal animal, já que os macacos estragavam suas plantações e assustavam os animais das fazendas. Mas a esposa do pescador foi tocada pelo sofrimento do pobre animal e pediu que o deixassem em paz.

Enquanto isso, a maré subia e ondas enormes começavam a estourar na praia, e muitas pessoas que recolhiam conchas foram embora para suas casas. Mas, a bondosa esposa do pescador ajudou o macaco até que se livrasse da concha, e sentida também pela concha, enterrou-a fundo na areia úmida. E disse ao macaco:

–    Vou pedir a você que não roube mais as nossas fazendas.

Parecia que o animal havia entendido seu pedido, e mesmo assim, num piscar de olhos, ele pulou até a rocha onde estava o bebê da esposa do pescador, pegou-o com cobertor e tudo e correu em direção às montanhas.

A mulher ficou chocada com tamanho gesto de ingratidão. Enfurecida, ela gritava:

– O macaco me retribuiu a bondade com a maldade!

E corria atrás dele. Os vizinhos que ainda estavam ali começaram a criticá-la por ter protegido a vida do macaco.

Mesmo com o bebê em seus braços, o macaco corria tão rápido que ninguém conseguia alcançá-lo. Em meio aos prantos daquela mulher para que ele devolvesse o bebê, o macaco subiu numa árvore muito alta e chegou ao galho do topo. As pessoas cercaram a base da árvore, mas não havia nada que pudessem fazer. Um dos pescadores saiu em busca do pai do bebê.

Enquanto isso, o macaco segurava o bebê com seu braço direito e com o esquerdo segurava-se no galho e balançava para cima e para baixo. O bebê, sentindo-se incomodado, começou a chorar e a gritar. Sua mãe, lá embaixo, sentia que seu coração ia parar de tanto desespero.

Neste momento, uma águia imensa começou a rondar o céu em volta da montanha. A preocupação daquelas pessoas agora era que a águia pudesse pegar o bebê. A mãe fechou os olhos e começou a pedir que Buda protegesse seu filho.

Quando a águia mergulhou em direção ao bebê, o macaco soltou o galho, que disparou em direção a cabeça da águia, que morreu instantaneamente. O enorme pássaro caiu no chão, e nesse momento o macaco repetiu o que havia feito, pois uma segunda águia mergulhava em direção ao bebê. No momento certo, o macaco fez o mesmo. E aconteceu que matou cinco águias da mesma forma. As pessoas do vilarejo assistiam espantadas àquela incrível luta, e finalmente compreenderam que enquanto o macaco lutava para se livrar da concha na praia, ele havia percebido que as águias sobrevoavam a rocha sobre a qual o bebê se deitava, portanto, assim que se livrou da concha, correu para salvar o bebê.

Uma vez terminada a batalha e o perigo fora de alcance, o macaco desceu da árvore e deitou o bebê aos pés da mãe, e voltou para o topo da árvore. Quando o pai do bebê chegou, tudo já havia sido resolvido, e as pessoas da vila se alegraram e comemoraram juntas o final feliz de uma história que parecia tão trágica, e voltaram às suas casas.

O pescador, por sua vez, obteve grande lucro com os mercadores locais, pois vendeu cada uma das penas das cinco águias que o macaco havia derrotado.

 

Conto Japonês